
Este é um caso que está a suscitar interesse a nível mundial e alguns 'detetives da Internet' já começaram a juntar as peças do puzzle para tentar descobrir a verdade (que pode ser mais sombria do que aparenta). Falamos da morte do CEO da seguradora UnitedHealthcare, Brian Thompson, e do jovemformalmente acusado pelo seu homicídio, Luigi Mangione.
O assassinato, que a polícia considera como "ataque premeditado", aconteceu no passado dia 4 de dezembro, à frente de um hotel em Manhattan, Nova Iorque. Brian estava a caminho da conferência anual de investidores da seguradora norte-americana quando foi baleado por uma pessoa de máscara, camisola preta e mochila cinzenta, que o esperava na rua.
O autor dos disparos colocou-se em fuga, mas no passado dia 9 de dezembro, um funcionário de um McDonald's (a 500 quilómetros do local do crime) viu um homem que correspondia à descrição do atirador e chamou a polícia.
Luigi foi detido em Altoona, na Pensilvânia, e para surpresa de muitos era “a última pessoa de quem se suspeitaria”, de acordo com Thomas J. Maronick Jr., advogado e apresentador de rádio que conhece vários membros da família Mangione, citado pelo New York Times. Na altura, o jovem tinha na sua posse documentos de identidade falsos e uma arma impressa a 3D.
Quem é Luigi Mangione?
O jovem de 26 anos nasceu no seio de uma família abastada de Baltimore que doou milhões de dólares para a indústria da saúde. O avô, descendente de emigrantes italianos, "não tinha dois cêntimos para gastar quando o pai morreu, aos 11 anos, mas ainda assim tornou-se milionário”, fazendo uma fortuna como empreiteiro e depois como consultor imobiliário, de acordo com o Independent.
Na década de 1990, Nick Mangione Sr., e a esposa, Mary C. Mangione, eram proprietários de clubes country, resorts locais, lares e até estações de rádio conservadoras. Filantropos de renome, o casal doou mais de um milhão de dólares ao Greater Baltimore Medical Center, onde nasceram todos os seus 37 netos, incluindo Luigi. O gesto levou o estabelecimento a dar o nome da família à sua unidade de obstetrícia.
A família também fez doações a vários outros hospitais e instituições de saúde, assim como à Baltimore Opera Company e ao Walters Art Museum. Nick Mangione Sr. faleceu em 2008, mas a reputação da família manteve-se intacta até agora e, por isso, o crime está a chocar conhecidos e amigos.
O legado do avô fez com que Luigi pudesse frequentar uma escola privada em Baltimore, a Gilme School, onde se destacou como o melhor aluno. Posteriormente, o jovem concluiu a licenciatura e mestrado em Informática, na Universidade de Pensilvânia, trabalhou numa empresa de tecnologia na Califórnia, até 2023, e depois mudou-se para uma comunidade de surf, no Havai.
Mãe reportou o seu desaparecimento: não falavam há seis meses
Luigi Mangione costumava fazer publicações nas redes sociais, mas pararam a meio do verão, altura em que deixou de ter contacto com amigos e familiares. No passado mês de novembro, Kathleen Mangione reportou o desaparecimento do filho à polícia de São Francisco, dizendo que não falavam desde julho, segundo o The San Francisce Standard.
Os amigos também imploravam para que respondesse às mensagens. "Ninguém tem notícias tuas há meses e aparentemente a tua família está à tua procura", escreveu uma pessoa no 'X' [antigo Twitter] em outubro.
Mas há algo que está a intrigar os internautas. De acordo com a Sky News, o jovem chegou a escrever nas redes sociais que sofria de espondilolistese, "uma patologia em que existe instabilidade da coluna com deslizamento de um corpo vertebral em relação a outro", de acordo com a CUF.
E confirmou-se. R. J. Martin, proprietário do 'Surfbreak', um espaço de "convívio” em Honolulu, conheceu o jovem em 2022, explicou que o jovem se queixava da sua condição de saúde. “Ele sabia que não era possível namorar e ter intimidade física com o seu problema de costas. Lembro-me dele me dizer isso e o meu coração simplesmente partiu-se", revelou ao The Times.
Depois de seis meses a viver no Surfbreak, Luigi Mangione decidiu consultar um médico na Costa Leste. O jovem alugou outro apartamento no 14º andar de um prédio em Honolulu desde outubro de 2022 até agosto do ano passado. Nessa altura, Martin enviou-lhe uma mensagem a perguntar como tinha sido a cirurgia às costas: "Ele enviou-me os Raio-X. Parecia hediondo, com parafusos gigantes na coluna", disse à CNN, referindo que desde então nunca mais ouviu falar do amigo.
Considerado "herói" nas redes sociais
Apesar do crime, muitos parecem apoiar Luigi e, alguns, até o descrevem como "herói". O motivo pode passar, segundo a Sky News, pelo facto de muitas pessoas nos Estados Unidos pagarem seguros de saúde dispendiosos e as acusações de que as empresas fazem de tudo para evitar pagar pelos tratamentos para maximizar os seus lucros.
Uma publicação que se tornou viral no 'X', antes da detenção do jovem, foi a de Anthony Zenkus, professor da Universidade de Columbia. “Lamentamos a morte dos 68 mil americanos que morrem desnecessariamente todos os anos para que diretores-executivos de companhias de seguros como Brian Thompson se possam tornar multimilionários”, lê-se.
Quando foi detido, o jovem tinha na sua posse um manifesto. "Um lembrete: os EUA têm o sistema de saúde n.º 1 mais caro do mundo, mas estamos em 42.º lugar em termos de esperança de vida. A United é a maior empresa [palavra indecifrável] dos EUA em termos de capitalização bolsista, atrás apenas da Apple, Google e Walmart. Tem crescido e crescido, mas e a nossa esperança de vida? Não, a realidade é que estes [palavra indecifrável] simplesmente se tornaram demasiado poderosos e continuam a abusar do nosso país para obterem lucros imensos porque o público americano lhes permitiu que se safassem", escreveu.
Após a detenção, a família emitiu um comunicado: "A nossa família está chocada e devastada com a detenção de Luigi". Foi acusado de um total de cinco crimes, incluindo porte de arma sem licença, falsificação de documentos e posse de “instrumentos de crime". A defesa de Luigi Magione vai apresentar um pedido de 'habeas corpus' para evitar a extradição para Nova Iorque, segundo o Deadline.
Esta terça-feira, 10 de dezembro, o jovem foi presente a tribunal na Pensilvânia e, à entrada do edifício, gritou: "Isto é claramente injusto, um insulto à inteligência do povo americano".