"Há toda uma relação que nós queremos cuidar entre duas civilizações que se conhecem há 500 anos, que estão em pontos muito distantes do mundo mas que têm este apreço. Portanto, achámos que desta vez - e nós não estivemos presentes no Dubai [em 2021 e 2022] - era mesmo importante estarmos presentes e representados. Ficámos muito contentes por termos sido convidados e eu procurei, junto dos agentes culturais da cidade, criar aqui uma programação que fosse mais ou menos consensual", disse à Lusa o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

Em causa está um programa multidisciplinar, entre os dias 18 e 21 de abril, que contará com "o piano de António Pinho Vargas e a cinematografia de Mariana Vilanova", cruzando ainda "a música de Alexandre Soares com os tradicionais 'haikus' japoneses, pelas palavras de José Tolentino de Mendonça e Gonçalo M. Tavares", segundo adiantou a Câmara do Porto à Lusa.

Estará também em projeção o filme 'Na Faina do Argaço', "onde, a convite do Batalha Centro de Cinema, Mariana Vilanova aborda as ligações entre rituais milenares - como a apanha do sargaço, valioso pelas suas propriedades terapêuticas e fertilizantes - e novos desenvolvimentos tecnológicos", algo que Rui Moreira acredita que despertará a curiosidade do público japonês.

A programação resultou de uma colaboração entre a autarquia, o Batalha Centro de Cinema e o Coliseu do Porto Ageas.

"Nome fundamental da música erudita em Portugal", António Pinho Vargas atuará no dia 20 de abril "com um concerto intimista que inclui algumas das composições mais importantes da sua carreira", estando os finais de tarde no Pavilhão de Portugal, entre 18 e 21 de abril, entregues a uma performance de Alexandre Soares, cofundador dos GNR e Três Tristes Tigres.

O músico "revela quatro obras performativas, inéditas, inspiradas em quatro haikus de Matsuo Bashô, Masaoka Shiki, José Tolentino de Mendonça e Gonçalo M. Tavares", sendo a interpretação acompanhada de cada um dos textos e dos dois autores, "num encontro primordial entre a palavra, o som e uma linguagem sem métrica no diálogo, aproximação e entendimento entre duas culturas".

"Acabámos por chegar a uma programação que nos parece bastante interessante, também, em primeiro lugar, recordando o que é o tema da exposição, que tem a ver com o mar, e depois as ligações que nós temos ao Japão e as interrelações que temos com a cultura japonesa ao longo dos séculos", considerou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

O autarca assinalou que "o Porto tem vindo a cuidar muito desta relação que tem com o Japão", observando "uma coincidência feliz: por uma boa decisão do Governo português de António Costa, o Pavilhão de Portugal foi entregue a Kengo Kuma", arquiteto "que está a fazer o Matadouro" na freguesia de Campanhã, que será reconvertido num centro cultural, de lazer e de escritórios com capacidade para albergar mais de 2.300 pessoas, designado M-ODU.

Rui Moreira relembrou ainda recentes interações entre o atual executivo municipal e a cidade nipónica de Nagasáqui, cuja geminação com o Porto remonta aos anos 70 do século XX.

A Expo 2025 Osaka acontece de 13 de abril a 13 de outubro, com mais de 28 milhões de visitantes esperados e 161 países participantes, todos com o objetivo comum de discutir soluções inovadoras para os desafios globais.

Sob o tema 'Oceano, Diálogo Azul', a participação de Portugal na Expo Osaka 2025, com Joana Gomes Cardoso como comissária-geral, procura destacar a importância da sustentabilidade marinha e da preservação dos oceanos, em linha com os compromissos globais de combate às alterações climáticas e à proteção dos ecossistemas.

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