
O governador da Reserva Federal norte-americana (FED), Christopher J. Waller, defendeu, na passada quinta-feira, um corte imediato das taxas de juro de referência em 25 pontos base. O economista, nomeado para a FED por Donald Trump em 2020, falava no Economic Club of Miami e sustentou que a “política monetária deve ter em conta os efeitos tarifários sobre a inflação”.
“Com a inflação subjacente próxima de 2%, as expectativas de inflação de longo prazo firmemente ancoradas e os sinais de um enfraquecimento indesejado do mercado de trabalho a crescerem, uma gestão de risco adequada significa que o Comité de Política Monetária da FED (FOMC) deveria cortar a taxa básica de juro agora”, afirmou. E acrescentou: “Já tinha essa convicção em julho, e todas as evidências desde então reforçaram a minha posição. Com base no que sei hoje, apoiaria um corte de 25 pontos base na reunião do Comité de 16 e 17 de setembro. Embora haja sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho, receio que as condições se possam deteriorar ainda mais e muito rapidamente. Por isso, considero importante que o Comité não espere que essa deterioração aconteça, correndo o risco de ficar para trás na definição da política monetária apropriada”.
Na perspectiva de Waller, “a política monetária é moderadamente restritiva”. “Em junho, grande parte dos participantes do Comité de Política Monetária considerou que o valor de longo prazo da taxa básica de juro, sem intenção de restringir ou estimular a economia, é de 3%. Com os valores atuais no intervalo entre 4,25% e 4,5%, isso significa que estamos entre 1,25 e 1,5 pontos percentuais acima do nível neutro”, explicou.
O responsável afirmou ainda que, já em julho, o FOMC deveria ter iniciado o processo de descida das taxas de juro. Contudo, relativamente à reunião de setembro, considera que não é necessário um corte superior a 25 pontos base, exceto se os novos dados sobre o emprego indicarem um abrandamento significativo, uma vez que a inflação está, para já, controlada.
“Acredito que existe um consenso crescente de que a política monetária precisa de ser mais acomodatícia, e até mesmo algum reconhecimento de que teria sido sensato iniciar esse processo em julho”, disse Waller, acrescentando: “Não creio que a política monetária tenha ficado substancialmente atrás da curva, mas é importante sinalizar o que faremos depois de setembro. Os dados recebidos determinarão a rapidez com que precisaremos de ajustar a política até atingir um cenário neutro. Atualmente, prevejo cortes adicionais nos próximos três a seis meses, sendo o ritmo dessas descidas ditado pelos dados que vierem a ser divulgados”.