O novo Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira no discurso da tomada de posse, em Maputo, a união no país e disse que "a estabilidade social e política é a prioridade das prioridades".
No primeiro discurso enquanto chefe de Estado de Moçambique, logo após a cerimónia de investidura, Daniel Chapo prometeu ser "não um Presidente distante, mas um filho da nação" e garantiu: "Unidos somos capazes de superar obstáculos e transformar as dificuldades em prosperidade".
O novo chefe de Estado defendeu que a "harmonia social" tem de estar de regresso ao país o quanto antes, prometendo diálogo para garantir a união em Moçambique.
"A harmonia social não pode esperar. Não descansaremos enquanto não tivermos um país unido."
O ato de investidura, salientou, "marca o início de uma nova fase de consolidação da construção da nação soberana e próspera".
Chapo foi investido esta quarta-feira, em Maputo, como quinto Presidente da República de Moçambique, o primeiro nascido já depois da independência do país, numa cerimónia com cerca de 2.500 convidados e a presença de dois chefes de Estado.
Uma pós-eleição marcada por violência
Atual secretário-geral da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Daniel Chapo era governador da província de Inhambane quando, em maio de 2024, foi escolhido pelo Comité Central para ser candidato do partido no poder à sucessão de Filipe Nyusi, que cumpriu dois mandatos como Presidente da República.
Em 23 de dezembro, Daniel Chapo, 48 anos, foi proclamado pelo Conselho Constitucional como vencedor da eleição presidencial, com 65,17% dos votos, nas eleições gerais de 09 de outubro, que incluíram legislativas e para as assembleias provinciais, que a Frelimo também venceu.
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A eleição de Daniel Chapo tem sido contestada nas ruas desde outubro, com manifestantes pró-Venâncio Mondlane - candidato presidencial que, segundo o Conselho Constitucional, obteve apenas 24% dos votos, mas que reclama vitória - a exigirem a "reposição da verdade eleitoral", com barricadas, pilhagens e confrontos com a polícia, que já provocaram 300 mortos e mais de 600 pessoas feridas a tiro, segundo organizações da sociedade civil que acompanham o processo.
Venâncio Mondlane convocou três dias de paralisação e manifestações, desde segunda-feira, contestando a tomada de posse dos deputados eleitos à Assembleia da República e a investidura do novo Presidente da República.
- Com Lusa