
A Europa e o Canadá estão entre as principais opções de destino para os cientistas que pensam deixar os Estados Unidos, referiu hoje a Nature no seu 'site', sobre um inquérito respondido por mais de 1.600 leitores da publicação científica.
A publicação fez a questão: "É um investigador norte-americano que está a pensar em deixar o país após as interrupções na ciência causadas pela administração Trump?".
Mais de 1.200 cientistas que responderam ao inquérito, ou três quartos do total de inquiridos, responderam afirmativamente.
A tendência é especialmente acentuada entre os investigadores em início de carreira. Dos 690 investigadores de pós-graduação que responderam, 548 estavam a pensar sair, 255 em 340 estudantes de doutoramento disseram o mesmo.
A administração Trump "cortou o financiamento da investigação e interrompeu grandes áreas de ciência financiadas pelo governo federal como parte de uma iniciativa de corte de despesas de todo o governo liderada pelo bilionário Elon Musk", frisou a Nature na sua publicação.
Muitos dos entrevistados consideraram mudar-se para países onde já têm colegas, amigos, familiares ou onde estão familiarizados com a língua.
"Qualquer lugar que apoie a ciência", escreveu um entrevistado, citado pela Nature.
Além disso, alguns que se mudaram para os Estados Unidos em trabalho estavam a pensar regressar aos seus países de origem.
A Nature acrescentou que "muitos outros cientistas não pensavam em mudar-se até que Trump começou a cortar no financiamento e a despedir investigadores".
A este propósito, a revista cita ainda uma estudante de pós-graduação de uma universidade norte-americana: "Esta é a minha casa: eu realmente amo o meu país", mas muitos dos seus mentores disseram-lhe para se ir embora "agora mesmo".
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