O ator norte-americano Val Kilmer, que protagonizou filmes como “Top Gun”, “The Doors” e “Batman Forever”, morreu esta terça-feira aos 65 anos.

A notícia foi avançada ao jornal New York Times pela filha do ator, Mercedes Kilmer, que aponta uma pneumonia como causa da morte.

Val Kilmer, nascido em Los Angeles, foi um dos atores mais proeminentes de Hollywood na década de 1990, antes de inúmeras desavenças com realizadores e outros atores terem prejudicado a sua carreira. Era descrito como excêntrico, temperamental, intenso, perfeccionista e egoísta.

O ator estreou-se no cinema em “Top Secret!” (1984) e alcançou a fama mundial ao lado de Tom Cruise com “Top Gun” (1986), no papel do aviador Tom ‘Iceman’ Kazansky.

Dois anos depois do sucesso de “Top Gun”, Kilmer casou com a atriz britânica Joanne Whalley, com quem contracenou em “Willow” (1988), e teve dois filhos antes de se divorciar. Anos mais tarde namorou com a cantora Cher e a modelo Cindy Crawford.

No filme “The Doors” (1991), do realizador Oliver Stone, o californiano interpretou Jim Morrison e mostrou que conseguia cantar: nos momentos musicais foi usada própria voz de Kilmer.

Em 1995 Val Kilmer teve dois grandes sucessos comerciais, contracenando com Al Pacino e Robert De Niro no policial “Heat” e sucedendo a Michael Keaton na terceira parte da série Batman - “Batman Forever”.

Depois das críticas, e ofuscado pelos vilões Two-Face (Tommy Lee Jones) e Riddler (Jim Carrey), Kilmer não deu continuidade à personagem Batman. O realizador Joel Schumacher descreveu-o como “o ser humano mais psicologicamente perturbado" com quem já trabalhara.

Foi também polémico o conflito com Marlon Brando durante a produção de “A Ilha do Dr. Moreau” (1996). O realizador John Frankenheimer foi taxativo: “Há duas coisas que nunca farei na vida: nunca escalarei o Monte Everest e nunca mais trabalharei com Val Kilmer".

Descrito como um dos “meninos maus de Hollywood” pelo Chicago Tribune em 1997 e como "o homem que Hollywood adora odiar” pela revista Entertainment Weekly em 1996, Kilmer foi nomeado várias vezes ”Pior Ator" nos prémios Razzie, que destacam o que pior de cada ano no cinema.

Kilmer também protagonizou “The Ghost and the Darkness” (1996) com Michael Douglas, “The Saint” (1997) com Elisabeth Shue, “At First Sight” (1999) com Mira Sorvino, “Red Planet” (2000), “The Salton Sea” (2002), “Alexander” (2004) do realizador Oliver Stone e “Kiss Kiss Bang Bang” (2005) com Robert Downey Jr.

Em contracorrente, o realizador de “The Saint” fez-lhe um raro elogio: "É o ator mais trabalhador que alguma vez vi”, disse ao Chicago Sun-Times em 1997.

Val Kilmer foi diagnosticado com cancro na garganta em 2014 e submetido a tratamentos de radiação e quimioterapia, bem como a uma traqueostomia. Apesar de não ter recuperado completamente a voz, participou ainda na sequela de “Top Gun”, “The Snowman” (2017) e “Paydirt” (2020).

"Portei-me mal. Comportei-me corajosamente. Para alguns, comportei-me de forma bizarra. Não nego nada disto e não me arrependo de nada, porque perdi e encontrei partes de mim que nunca soube que existiam", descreveu o próprio Val Kilmer sobre a sua carreira no documentário "Val" (2021).

Fora do grande ecrã, o ator publicou dois livros de poesia e foi nomeado para um Grammy em 2011 pelo álbum de áudio-drama"The Mark of Zorro".