
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average recuou 1,69%, o alargado S&P500 perdeu 1,97% e o tecnológico Nasdaq desvalorizou 2,70%.
"Trata-se de um mercado que está a baixar de forma durável de significativa", estimou Adam Sarhan, de 50 Park Investments, em declarações à AFP.
"O receio é que as taxas alfandegárias, que vão entrar em vigor em 02 de abril (...) provoquem um arrefecimento económico", acrescentou, o que vai afetar os resultados das empresas.
Os investidores estão a navegar à vista até 02 de abril, data que Trump já considerou o "Dia da Libertação".
Na altura, este deve detalhar o seu plano sobre o que disse serem as "taxas alfandegárias recíprocas", que em tese envolvem todas importações dos EUA.
Estas vêm acrescentar-se a outras taxas alfandegárias, anunciadas ou já em vigor, como as incidentes sobre o aço e o alumínio. Sem contar com as taxas punitivas sobre os automóveis fabricados fora dos EUA, previstas para começarem a ser aplicadas a partir de 03 de abril.
"Parece que vamos ter mais taxas alfandegárias (...), porque os outros países não cedem" e preveem retaliar, realçou Sarhan.
"Isto pode conduzir a um arrefecimento da economia internacional, o que pode prejudicar os lucros, e se estes baixam, as cotações baixam", resumiu.
A praça bolsista também sofreu com os números do índice PCE, sobre as despesas de consumo pessoal, que a Reserva Federal (Fed) considera um dos principais indicadores da inflação.
Este indicador, o ritmo da inflação não abrandou em fevereiro, ao ser de 2,5%.
Já a dita inflação subjacente, que exclui preços voláteis, como os da alimentação e energia, acelerou para 2,8%, dos 2,7% de janeiro.
"A inflação é o inimigo número um da Fed", acentuou Sarhan.
"Se a inflação aumentar, a Fed deve subir a sua taxa de juro (...), o que vai diminuir a atividade e o crescimento da economia", acrescentou.
"Acrescente a isto o que se está a passar com as taxas alfandegárias e obtém-se a receita perfeita de uma recessão", concluiu.
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