"Acabámos de fazer a reposição da contribuição portuguesa para a Escola Portuguesa de Macau, que (...) tinha sofrido um corte enorme", disse Rangel na região semiautónoma chinesa.

O Estado português detém a maioria (51%) do capital da fundação da EPM, mas desde 2014 que Lisboa apenas contribuía com 10% das despesas da escola, uma decisão tomada no âmbito do programa de resgate financeiro de Portugal.

O financiamento da EPM "está agora nos níveis legais outra vez e é a primeira vez ao fim de 11 anos", anunciou Rangel, numa receção à comunidade portuguesa em Macau, e depois de uma visita à escola.

Pouco depois, o chefe da diplomacia portuguesa disse aos jornalistas que "já não havia razão nenhuma, sinceramente, para haver esse corte e ele manteve-se".

"Nós aumentámos cinco vezes esse valor [do financiamento da EPM], portanto isso é algo que é altamente significativo do empenho que nós temos", disse Rangel.

"Há governos que realmente dão importância a Macau e à China e há outros que não dão, isto é uma coisa que tem que ser dita", lamentou o ministro, apontando o dedo ao anterior executivo do PS.

A reposição do financiamento "é sem dúvida uma ajuda importante" para a EPM, que Rangel descreveu como tendo um papel fundamental para Portugal em Macau.

"Também registamos com agrado (...) que nunca houve tanto alunos de português -- e agora falo de alunos da comunidade chinesa -- como há hoje em múltiplas escolas", acrescentou o dirigente.

"Significa que também a Região Administrativa Especial [de Macau] tem incentivado o ensino de português e o conhecimento de português, e isso é algo que só pode trazer boas relações entre os dois lados", acrescentou Rangel.

No final de dezembro, o presidente da fundação da EPM, Jorge Neto Valente, disse que a escola corria o risco de ficar sem dinheiro, caso o Estado português não contribuísse mais para o financiamento da escola.

Num evento em Lisboa, o advogado disse que as despesas da EPM deverão atingir oito milhões de euros no ano letivo 2024/2025.

"Os défices [orçamentais] que se vêm verificando nos últimos anos têm sido cobertos pela FEPM [Fundação Escola Portuguesa de Macau], e, se não forem estancados, corre-se o risco de ver [a fundação] exauridos os seus capitais a médio prazo", disse Neto Valente, citado pelo jornal Hoje Macau.

A escola "vive, sobretudo, dos apoios do Governo de Macau, sem quaisquer interferências", acrescentou Neto Valente.

Na quarta-feira, Neto Valente disse à Lusa que a EPM "não tem nada para pedinchar" a Paulo Rangel.

"Não há choradeira, não temos nada para pedinchar, não temos nada para exigir, está tudo normal", garantiu Neto Valente.

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