No ano passado, a União Europeia (UE) vendeu 5,4 milhões de automóveis ao estrangeiro e importou 4 milhões, segundo os últimos dados publicados pelo Eurostat, esta terça-feira. Em comparação com 2019, o período pré-pandemia, as exportações e importações de veículos caíram 13,2% e 3%, respetivamente.

Em termos de valor, a UE exportou 165,2 mil milhões de euros em automóveis e importou o equivalente a quase 76 mil milhões, resultando num excedente comercial de 89,3 mil milhões de euros.

“A diminuição do número de automóveis exportados e importados, juntamente com o aumento dos valores comerciais, reflete o aumento dos preços entre 2019 e 2024”, justificou o Eurostat.

Estados Unidos e Reino Unido são os principais clientes europeus

Em 2024, os Estados Unidos e o Reino Unido foram os principais destinos das exportações automóveis da União Europeia, representando valores de 38,9 e 34,3 mil milhões de euros, respetivamente. Seguiram-se os mercados chinês, turco e suíço.

Recorde-se que, na quarta-feira passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis importados que deverão entrar em vigor esta quarta-feira, dia 2 de abril.

“As tarifas são impostos - maus para as empresas, piores para os consumidores, tanto nos EUA como na União Europeia”, comentou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Dado o peso do setor automóvel na economia europeia e a grande dependência face às exportações para os Estados Unidos,Ursula Von der Leyen garantiu que iria avaliar a medida de Trump, juntamente com outros anúncios já feitos pelo presidente norte-americano.

A imposição de tarifas sobre o setor automóvel teve um impacto imediato nos mercados mundiais. No final da manhã do dia seguinte ao anúncio, cinco das maiores construtoras europeias já perdiam 6,6 mil milhões de euros na respetiva capitalização bolsista. A Porsche foi a mais penalizada, com uma desvalorização de 4,1%, seguida das alemãs Mercedes e BMW.

Compras à China aumentaram quase 16 vezes entre 2019 e 2024

Quanto às importações, o Eurostat detalha que a China e o Japão foram os maiores fornecedores (12,7 mil milhões de euros e 12,3 mil milhões, respetivamente), seguindo-se o Reino Unido, a Turquia e os Estados Unidos.

Numa altura em que marcas como a BYD ou a MG começam a ganhar cada vez mais expressividade no mercado europeu, o Eurostat confirmou que, entre 2019 e 2024, “a UE registou o crescimento mais significativo nas importações de automóveis da China, com um aumento de 1591,3%”.