Estupefacta e indignada. Foi assim que ficou a direção da Federação Portuguesa de Futebol, dirigida por Pedro Proença, quando teve as buscas da Polícia Judiciária, esta terça-feira, nas suas instalações, a propósito da venda da antiga sede da FPF, na Operação Mais-Valia.

A direção do organismo que gere o futebol português reuniu-se esta quarta-feira e tomou várias medidas, entre elas alargar a auditoria, que já estava a ser realizada para o último mandato de Fernando Gomes, para o mandato que decorreu entre 2016-2020, assim como revogar o contrato de prestação de serviços com Paulo Lourenço, um dos nomes noticiado como estando envolvido no processo.

Comunicado da Direção da FPF

Os elementos da Direção da Federação Portuguesa de Futebol, reunidos de urgência na manhã desta quarta-feira, expressaram de forma unânime a sua estupefação e indignação pela forma como a honra e reputação da instituição foram afetadas por todos os acontecimentos ocorridos no dia de ontem.

Reafirmaram também o seu compromisso quanto à absoluta intransigência perante práticas ilícitas ou criminais que venham a ser apuradas, agindo de modo inflexível em relação a qualquer pessoa ou entidade que tenha lesado os interesses e o bom nome da instituição.

Decidiram, ainda, a implementação imediata de um conjunto de medidas.

1. Extensão ao mandato 2016-2020 da Auditoria que já decorre, desde 17 de Março, referente aos anos entre 2020-2024, que permita uma análise minuciosa e aprofundada, sobretudo nas áreas críticas que envolvem pagamento de comissões, prestações de serviços e procedimentos na área de recursos humanos, por forma a apurar eventuais responsabilidades civis ou criminais.
2. Implementação imediata de processo de averiguação interna aos procedimentos administrativos de todos os departamentos da Federação Portuguesa de Futebol;
3. Aceitação, com efeito imediato, do pedido de revogação de contrato do prestador de serviços Paulo Lourenço.
4. Reforço das políticas de compliance e dos mecanismos de escrutínio da idoneidade de todos membros dos Órgãos Sociais, funcionários e colaboradores da Federação Portuguesa de Futebol;
5. Implementação de certificação nas normas internacionais: ISO 9001 (qualidade), ISO 27001 (segurança da informação) e ISO 37001 (anticorrupção);
6. Promoção da criação de um Comité de Ética (proposta de alteração dos estatutos);
7. Constituição da FPF como assistente em todos os processos de natureza criminal em curso em que estejam em causa prejuízos para a FPF;
8. Interposição de ações judiciais contra quaisquer pessoas e entidades que venham a ser responsabilizadas por danos causados à Federação Portuguesa de Futebol.

A terminar a reunião, os elementos da Direção demonstraram a convicção de que as medidas agora adotadas servirão para que a Federação Portuguesa de Futebol seja sempre vista como um exemplo de boas práticas, transparência e defesa dos melhores valores cívicos e desportivos.