Ganhou-se um bom jogador, mas quiçá, se tenha perdido um bom velocista. Samu, médio do Vitória de Guimarães, revelou que começou por praticar atletismo antes de começar a jogar futebol.

«Comecei no atletismo. Não posso dizer que foi por influência de alguém, mas sim por causa das pessoas com quem brincava na altura. Em Mozelos, não havia futebol, mas havia atletismo. Na altura, eu era rápido e alguns colegas que andavam no atletismo acabaram por me convencer. Começámos a entrar em competições, ganhei o gosto e algumas medalhas», contou, entre risos, no podcast «DEZANOVE22».

No entanto, Samu acabou por trocar a pista de tartan pelo relvado. «Todos adorávamos jogar à bola. Praticamente só jogava na rua, um hábito que se está a perder um bocado. Era uma alegria, parecia que não existia mais nada no mundo. Os colegas do meu pai disseram-lhe que eu tinha jeito, mas ele dizia que eu tinha era de estudar. Obviamente o meu pai sabia que gostava e queria jogar futebol. Acabei por ir para o Paços Brandão», lembrou.

Samu chegou ao FC Porto, clube onde esteve durante cinco anos, até se mudar para o Boavista. Foi, de resto, no Bessa que o jogador do Vitória começou a jogar como médio, a posição que lhe permitiu atingir o escalão máximo do futebol português.

«Comecei por jogar como extremo esquerdo no FC Porto. Era rápido e não existiam muitos esquerdinos. Depois recuei e passei a jogar como lateral. Comecei a jogar no meio-campo quando estava no Boavista com o mister Nélson Antão. Ele viu que tinha alguma capacidade técnica e qualidade e perguntou-me se poderia ser médio. Respondi que não me importava, queria era jogar. E ficou para sempre», partilhou.

O jogador do Vitória relatou ainda a experiência que teve no Barcelona B quando tinha apenas 19 anos.

«Tinha 19 anos, era novo e tinha feito dois ou três jogos na Liga e chegado à seleção de sub-19. Talvez o interesse tenha surgido por aí. Fui ao Barcelona no final da época e foi uma experiência muito enriquecedora. A filosofia do Barcelona não era só o Guardiola, mas sim do clube. Tudo está preparado para que o jogador chegue à equipa principal e seja tudo igual. Acabei por voltar ao Boavista, o clube disse-me que contava comigo. Tinha contrato e não acreditei que o Barcelona fosse pagar muito por mim», disse.

Após a experiência na Catalunha, Samu ficou seis meses no Boavista, passou por empréstimos a Fafe e Sp. Espinho até se afirmar em Vizela. Foi, de resto, do clube minhoto que se mudou para Guimarães.

«Felizmente tive algumas abordagens, mas queria dar um passo em frente na carreira. Senti que o Vitória era um passo em frente», referiu, sem esconder a ambição de jogar no estrangeiro.

Desde que chegou ao D. Afonso Henriques, Samu marcou cinco golos e fez duas assistências em 36 partidas.