
A antevisão de Bruno Lage, treinador do Benfica, ao encontro desta sexta-feira frente ao Gil Vicente, partida em atraso da jornada 24 da Liga Portugal Betclic.
Análise ao Gil Vicente: «Tivemos a oportunidade de analisar os dois jogos que fez sob o comando do César. Estão claramente identificados. Também tivemos oportunidade de verificar algumas ideias que ele colocava em prática no Moreirense. Nestes dois jogos, apresentaram algumas dinâmicas diferentes do Moreirense. A dúvida que temos é perceber se são dinâmicas que o César implementa em função dos jogadores que tem à disposição ou se aproveitou este espaço de tempo para treinar e colocar em prática as suas ideias.
É uma equipa muito interessante, já o tinha dito na primeira volta. Muitos jogadores no terço ofensivo, cria muitas diagonais entre as defesas. O golo que nos marcaram na Luz é exemplo disso. É um jogo difícil. Entrámos no último terço do campeonato, as equipas vão estar mais aguerridas e é um estádio difícil de jogar. Temos de estar no compromisso máximo. São finais que temos de disputar e o jogo de amanhã não foge disso.»
Campeonato é luta a dois? «O campeonato, em função das últimas jornadas e dos confrontos diretos que faltam disputar, é uma luta a quatro. Coloco o SC Braga, apesar do mister Carlos Carvalhal não gostar muito. É uma equipa muito interessante, que se reinventou apesar das saídas em dezembro e que apresenta um futebol de qualidade, com jovens da formação também de qualidade. A corrida é a quatro e temos de fazer a nossa parte. Essa foi a mensagem que passámos hoje aos jogadores. Temos falado muito sobre sermos uma família e é isso que temos de fazer.»
Ciclo de jogos: «Temos de continuar na dinâmica em que vínhamos anteriormente, por força das circunstâncias de estarmos na Liga dos Campeões, que é jogar de três em três dias. Temos Gil Vicente, Farense e FC Porto. Temos de estar focados no jogo de amanhã, no trabalho que temos de fazer e nos três pontos que temos de conquistar.»
Alterações provocadas pelo regresso de Di María: «Cada jogador oferece dinâmicas por força das suas caraterísticas individuais. Poder contar com o [Ángel] Di María e com os avançados que temos à disposição é realmente gratificante. Depois, temos de ter, enquanto treinador e equipa técnica, a oportunidade de os colocar em prática e jogar em equipa. Algo que seja sólido e de base, a nossa dinâmica de equipa, e depois é as caraterísticas de cada um.

Gostamos que os nossos alas saibam jogar por dentro e por fora. Temos usado o Di María mais pela direita, de pé esquerdo e por dentro a oferecer determinado tipo de movimentos. O [Kerem] Aktürkoglu tem jogado nos dois corredores e tem feito também um bom trabalho. Há o Bruma, o Andreas [Schjelderup], o Zeki [Amdouni], que ultimamente tem jogado na direita e joga bem com os dois pés, oferece a imprevisibilidade de vir por dentro ou ir fora. O João Rego eu gosto dele mais por trás. No outro dia, tive a oportunidade de o meter na posição que acho que pode vir a render mais.
É conseguirmos tirar partido de todos os jogadores e perceber também como os laterais combinam com os alas. É muito interessante verificar que o Di María tem um posicionamento inicial, quando estamos a construir de trás, com o Alexander Bah e outro com o Tomás Araújo.»
Ciclo de jogos decisivo: «Já passámos por ciclos com enorme exigência. O que temos de fazer é chegar às duas últimas jornadas, com Sporting e SC Braga, numa posição muito boa para conquistar o título. Para isso, o jogo de amanhã é determinante.»
Gestão física de Di María, Otamendi e Tomás Araújo e medo de recaídas: «Isto é uma profissão de risco. Quando entram em campo, todos se podem lesionar. Não são só esses três. Eu assisti, há dois meses, a algo que nunca tinha assistido: dois atletas, se calhar, no melhor momento profissional e pessoal - o Bah, que tinha acabado de ser pai de gémeos, e o Manu [Silva], com uma transferência de Guimarães para o Benfica - a lesionarem-se, em poucos minutos, no mesmo local do terreno e ficam de fora esta época e o início da próxima. É sempre um risco. O importante é termos a consciência de que tomamos as melhores decisões a cada momento, em função do rendimento dos jogadores, do momento de cada um e das soluções que temos para as várias posições.»
Samuel Dahl e Renato Sanches interessam para a próxima temporada: «Há pessoas a tratar da próxima época. Independentemente das eleições em outubro, tem que se preparar a próxima época. O presidente, o Rui Pedro Braz e o Lourenço Coelho estão a tratar disso. O que me compete a mim é vencer o campeonato e a Taça de Portugal, estar concentrado e focado no jogo de amanhã.»
Margem de erro: «No campeonato de 2018/19, não havia margem para errar porque o confronto foi muito cedo. Penso que foi em março que fomos vencer ao Dragão. Curiosamente, no jogo seguinte, empatámos com o Belenenses e ficou uma diferença de um ponto. Como olhamos para as últimas jornadas e temos confrontos diretos com adversários diretos, tem que ser o nosso objetivo chegar a esse momento para disputar o campeonato. Vamos entrar em ciclos de jogos consecutivos por termos um jogo em atraso e estarmos na meia-final da Taça de Portugal. Vamos continuar a jogar de três e três dias e temos de estar concentrados no presente.»
Gil Vicente é uma primeira final: «Já estivemos nesta posição várias vezes. Não temos de nos preocupar muito com a diferença pontual, temos é de fazer o nosso trabalho. Temos o jogo de amanhã, depois o jogo de terça-feira e depois outro logo a seguir. Estando a faltar nove jogos para o fim do campeonato, que sensivelmente são seis semanas, é concentrar toda a energia em cada momento. O jogo de amanhã é importante, é uma final porque se tratam de nove jogos até ao final e pela importância dos três pontos.»