Faltam apenas 306,183 quilómetros, 58 voltas e 928 curvas para se esvaziar a ligação mais longa de sempre de um piloto com uma equipa de Fórmula 1. Os rodopios ao circuito de Abu Dhabi serão os últimos de Lewis Hamilton na Mercedes num culminar de 12 épocas a conduzir as balas de quatro rodas da marca britânica.

A expectativas para o último Grande Prémio de 2024 não são muitas. Essas estão já a caminho de 2025 onde vai cumprir “o sonho de criança” de conduzir o carro escarlate da Ferrari. Para trás deixa um legado de 246 corridas, 84 vitórias e seis campeonatos com a Mercedes.

A mudança estava mais do que anunciada. Ainda o andor da atual época se levantava e era público e oficial que a Mercedes ficaria com um lugar por preencher. Lewis Hamilton sabia-o, o mundo sabia-o, mas despedidas não deixam de ser despedidas. Por ter sido um ano “muito emocional”, o piloto de 39 anos admite que “não esteve no seu melhor” a lidar com os sentimentos que lhe assaltavam o raciocínio.

O ponto mais alto da custosa época de Lewis Hamilton foi o regresso às vitórias em Silverstone, perante o seu público, 945 depois do último triunfo. Haveria ainda de repetir a façanha em Spa, chegando às 105 vitórias na carreira, distanciando-se ainda mais de Michael Schumacher como o piloto mais ganhador de sempre na Fórmula 1.

“Sabia que o ano ia ser difícil, mas subestimei imenso o quão difícil ia ser”, admitiu. “Não vou pedir desculpa, sou apenas humano e nem sempre estou certo.” Quando não por assuntos do coração, outros motivos afastaram o britânico de esticar a asa ao título. A última vez que conquistou o campeonato foi em 2020 e a última vez que legitimamente lutou por ele foi em 2021, quando Max Verstappen deu início ao seu reinado.

Mark Thompson

Em Abu Dhabi, na última dança com a Mercedes, não se espera que tenha direito a uma saída em grande, ou não estivesse o veículo que conduz em subrendimento. “Não acho que vá terminar em altas. O importante é darmos o nosso melhor”, confessou perante as esperanças reduzidas de ser bem-sucedido.

A questão agora é como fazer uma transição suave para a scuderia. Foi equacionada a possibilidade de Lewis Hamilton testar o carro da Ferrari ainda nos Emirados Árabes Unidos. No entanto, os patrocinadores da Mercedes querem espremer ao máximo o contrato com o heptacampeão mundial e levá-lo em ações promocionais pela Malásia durante o mês de dezembro.

Mesmo que os constrangimentos de agenda o permitissem, Hamilton “não o queria fazer”, embora reconheça que não levar a cabo o reconhecimento do novo material vá “atrasar o processo e torne o início do ano mais difícil”. Mesmo que sirva apenas para acalmar a consciência, está regulamentado que os pilotos não podem experimentar os carros de 2025 fora dos testes oficias de pré-época, que decorrem no Bahrain. De qualquer modo, a expectativa é que Hamilton senta o pulso ao monolugar que a Ferrari usou em 2022, modelo autorizado fora dos eventos oficiais, na pista da equipa antes da retoma do campeonato.

Partindo do princípio que a carreira de Lewis Hamilton está mais perto do fim do que do começo e que será difícil passar 12 anos (e por tantos sucessos) noutro lugar, existirá sempre algo de intrínseco entre o britânico e a Mercedes. Mesmo que de vermelho vá conduzir por aí.