Várias centenas de pessoas manifestaram-se hoje em frente à Assembleia da República, em Lisboa, gritando "Violação não tem perdão", numa alusão ao caso da jovem menor violentada por três 'influencers', em Loures, que não ficaram detidos.

"Não é não" é outra das mais repetidas palavras de ordem, no protesto organizado por um grupo espontâneo de sete mulheres, a que se juntaram cerca de 140 associações e coletivos.

Representantes do Bloco de Esquerda, Livre e PAN marcaram presença na concentração e, em declarações aos jornalistas, defenderam que a violação deve passar a ser um crime público, e que as plataformas multinacionais, gestoras das redes sociais, devem ser responsabilizadas legalmente pela partilha de imagens e vídeos de crimes sexuais.

Livre defende que a violação deve ser um crime público

Isabel Mendes Lopes juntou-se à manifestação e disse que a escola é fundamental na formação dos jovens.

A desigualdade de género "é estrutural", mas "as redes vieram intensificar "narrativas que têm de ser combatidas", assinalou Isabel Mendes Lopes, lembrando que "muitas vezes as famílias nem sequer têm noção da violência" a que os seus filhos e filhas estão expostos

"É responsabilidade de todos de erradicar a violência contra as mulheres"

Manifestação no Funchal frente à Assembleia Legislativa

Na manifestação no Funchal, o PAN diz que há um grande trabalho legislativo a fazer nos casos de violência contra mulheres. Mónica Freitas diz que a culpa tem de mudar de lado.

Cerca de 50 pessoas manifestaram-se em frente à Assembleia Legislativa no Funchal.

"Nós defendemos justiça. Não podem sair impunes os agressores destes caso", afirmou Ana Moniz, uma das promotoras da manifestação, que teve início às 15:00, considerando que é inadmissível que os três jovens tenham saído em liberdade.

"Estamos a silenciar as vítimas e a libertar os agressores", lamentou, em declarações aos jornalistas, em frente ao parlamento madeirense, onde cerca de 50 manifestantes se juntaram, com cartazes, gritando palavras de ordem.

Ana Moniz explicou que a convocação da manifestação resultou de um movimento apartidário, apesar de terem marcado presença alguns representantes de vários partidos, depois de o grupo ter tido conhecimento do protesto marcado em Lisboa.

"Nós estamos aqui em solidariedade não só por essa jovem, mas por todas as mulheres que são vítimas de violência sexual, violência machista", salientou.

"Infelizmente não é o primeiro [caso], não será o último, mas nós estamos aqui para lutar para que isto acabe ou que haja medidas para resolver o problema", acrescentou.

Os manifestantes envergavam cartazes como "o machismo mata, amor não é violência", "violação não se filma, condena-se", "não partilhem, denunciem", "violador bom é violador morto".

Com o lema "Violação Não se Filma, Condena-se", os manifestantes exigem que se faça justiça no caso dos três 'influencers' que, alegadamente, se filmaram a violar uma menor de 16 anos em Loures e divulgaram o vídeo nas redes sociais.

FILIPE AMORIM

Os três suspeitos de violação, com idades entre os 17 e 19 anos, foram detidos pela Polícia Judiciária, mas libertados pelo tribunal, tendo ficado obrigados a apresentações periódicas e impedidos de contactar a vítima, de se aproximarem dela, mas não lhes foi limitado o acesso às redes sociais o que lhes tem permitido, mesmo depois de aplicadas as medidas de coação, fazer referências ao caso em que são suspeitos.

A vítima quis conhecer os seus ídolos do TikTok, mas o encontro acabou numa arrecadação de um prédio com uma alegada violação filmada e divulgada nas plataformas.

Os protestos realizam-se em Lisboa em frente à Assembleia da República e no Funchal junto à Assembleia Legislativa da Madeira.

FILIPE AMORIM