
"A instituição armada não tolera e não tolerará ameaças de nenhum funcionário ou governo estrangeiro. Consequentemente, responderemos com firmeza e determinação a qualquer provocação ou ação que ameace a integridade territorial e os interesses sagrados do país (...), defenderemos a nossa liberdade, soberania e independência com as nossas vidas", expressou o ministro numa mensagem na sua conta do Instagram.
A mensagem foi divulgada depois de o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, advertir a Venezuela de que um ataque militar contra a Guiana não acabaria bem e seria um grande erro, no âmbito da disputa pelo território Essequibo.
"Já o advertimos: A intromissão norte-americana nesta disputa territorial pode provocar uma escalada perigosa na região", explica a mensagem na qual as FANB "condenam categoricamente as ameaças delirantes feitas por Marco Rubio, inimigo declarado da Venezuela, durante a sua visita à República Cooperativa da Guiana".
Caracas diz ser insólito que a reivindicação venezuelana do território de Essequibo seja considerada ilegítima, tendo em conta que o Acordo de Genebra é o instrumento válido, assinado pelas partes envolvidas na disputa territorial, assim como acusa a Guiana de procurar recorrer à "ingerência imperial", em vez dos mecanismos estabelecidos nos acordos de Argyle.
"A Venezuela tem historicamente uma vocação pacifista e em nenhum caso procurou ameaçar, e muito menos atacar a Guiana, cujo atual governo tem tomado atitudes à margem do direito internacional, assumindo uma posição submissa e subalterna, desrespeitando os acordos válidos assinados entre ambas nações, concedendo licenças a empresas transnacionais para realizarem atividades de exploração e comercialização de hidrocarbonetos em águas pendentes de delimitação onde não pode exercer jurisdição", lê-se na mensagem.
Os militares venezuelanos sublinham como "lamentável que a Guiana esteja a tornar-se a nova colónia do império na região e uma filial" da petrolífera norte-americana ExxonMobil.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, advertiu quinta-feira a Venezuela de que atacar militarmente a Guiana será "um grande erro" e "não acabará bem", expressando apoio a Georgetown na sua disputa territorial com Caracas.
"Será um dia muito mau para o regime venezuelano se atacar a Guiana ou a ExxonMobil. Será um dia muito mau, uma semana muito má para eles [os venezuelanos] e não acabará bem", declarou Rubio numa conferência de imprensa em Georgetown, ao lado do Presidente guianês, Irfaan Ali.
"Temos uma grande Marinha, que pode chegar a quase qualquer lugar, em qualquer ponto do mundo. E temos compromissos em vigor com a Guiana", disse o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, acrescentando que não entraria em detalhes sobre o que o seu país faria no caso de um ataque venezuelano à Guiana.
Marco Rubio insistiu que, se o Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tomasse tal atitude, seria "uma decisão muito má, um grande erro para eles".
A Guiana e a Venezuela mantêm uma disputa pelo território de Essequibo, rico em petróleo e recursos naturais, administrado por Georgetown e reivindicado por Caracas.
A tensão exacerbou-se desde que a Venezuela anunciou que vai eleger um governador para Essequibo nas eleições regionais de maio.
No início deste mês, uma patrulha militar venezuelana passou cerca de quatro horas na secção do Bloco Stabroek, onde opera a empresa petrolífera norte-americana ExxonMobil.
FPG (ANC) // APL
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