
Sérgio Sousa Pinto admitiu esta sexta-feira que a recusa em integrar as listas do PS Às legislativas foi uma “decisão difícil”, justificando que as listas do seu círculo eleitoral e de outros o levaram a ponderar “questões difíceis sobre o seu papel nesta grande orquestra da política portuguesa e do PS”. E afirma não ter encontrado uma resposta que o satisfizesse.
Questionado no programa Contra Poder da CNN, onde é comentador residente, Sérgio Sousa Pinto explicou que as suas “angústias” estavam relacionadas com “o posicionamento, as escolhas e as grandes opções” do PS. Reiterou que essas questões se tornaram “quase insuportáveis” no momento em que o PS decidiu organizar as listas para o Parlamento. Sousa Pinto, que até à sua decisão era o número quatro por Lisboa (a sua melhor posição em décadas de vida política, concordou que essa posição não foi o fator decisivo para a sua saída, que ocorre após 16 anos e seis legislaturas.
Sérgio Sousa Pinto mencionou ter conversado com o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, antes de anunciar a sua decisão. Recordou que foi “amavelmente convidado a integrar as listas do PS e aceitou”, salientando que não conhecia as listas na altura.
Quando questionado sobre o motivo da sua saída, uma vez que a posição na lista não era relevante, Sousa Pinto afirmou que “a questão do quarto lugar não é a questão central”. Para ele, a lista serviu apenas como um “detonador e um pretexto” que o forçou a confrontar “certas realidades difíceis sobre o seu papel e o papel que lhe está reservado nesta fase da vida nacional e da vida do partido”.
Sousa Pinto declarou que sentiu que “havendo um tempo para ficar e um tempo para sair, este era o tempo para sair”, explicando que as escolhas e a “valoração” feita pelo PS em relação a algumas pessoas mudaram entre segunda e quarta-feira.
Apesar da sua saída, Sérgio Sousa Pinto fez questão de sublinhar que espera que tudo corra bem para o PS e manifestou a sua disponibilidade para fazer campanha ao lado de Pedro Nuno Santos e "de todos os camaradas", no seu partido "de sempre", com o qual mantém “uma ligação fortíssima”. “Se fui protagonista foi contra a minha vontade”.