
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, escreveu esta manhã na rede social X que Israel vai expandir a guerra “para esmagar e limpar a área de terroristas e infraestruturas terroristas e capturar grandes áreas que serão adicionadas às zonas de segurança do estado de Israel”. Os ataques aéreos continuam a soar e o número de mortos em Gaza nas últimas horas foi estimado em 21, segundo fontes médicas que falaram à “Al Jazeera”. Pelo menos 12 palestinianos foram mortos num ataque a uma casa em Khan Younis.
De acordo com o "Times of Israel", os soldados entraram na Faixa esta quarta-feira às primeiras horas da manhã. Dezenas de famílias palestinianas na zona de Khirbet al-Adas, em Rafah, a sul, disseram à Al Jazeera que foram encurraladas pelo ataque israelita e emitiram um pedido de ajuda, apelando à ajuda internacional para serem retiradas para um local seguro.
"O alargamento da operação esta manhã aumentará a pressão sobre os assassinos do Hamas e também sobre a população de Gaza e promoverá a conquista do objetivo sagrado e importante para todos nós", escreveu Israel Katz no X, onde pediu ainda aos habitantes do território que não apoiem o Hamas. Nos últimos dias, centenas de pessoas têm demonstrado precisamente essa oposição, nas ruas, com palavras de ordem que pedem a paz e condenam o grupo pelas consequências do ataque de 7 de outubro.
Segundo a CNN, o porta-voz militar israelita para os meios de comunicação árabes ordenou, na terça-feira à noite, que os residentes da zona de Rafah, no sul de Gaza, abandonassem as suas casas e se mudassem para norte. No início da invasão, em novembro de 2023, foi pedido aos habitantes do norte que se deslocassem para sul e recentemente, quando o mais recente cessar-fogo foi instituído, em janeiro de 2025, milhares de pessoas voltaram ao norte, apesar da destruição quase total de todas as infraestruturas capazes de apoiar a vida civil.
A 18 de março, Israel quebrou o cessar-fogo e uma fonte israelita confirmou à CNN que o plano de Israel era “uma potencial grande ofensiva terrestre em Gaza”, que envolveria o envio de “dezenas de milhares de tropas para o combate”, de forma a “limpar e ocupar grandes áreas do enclave”. Os números de tropas adicionais ainda não foram divulgados.
A população de Gaza tem vindo para a rua em protestos contra Israel mas também contra o Hamas, que gere o território desde 2007, na sequência de umas eleições conturbadas que deixaram a Palestina com liderança bicéfala - Autoridade Palestiniana na Cisjordânia e Hamas em Gaza. Desde aí, nunca mais houve eleições.
O Expresso falou recentemente com alguns palestinianos residentes em Gaza sobre os protestos. “O povo de Gaza merece, pelo menos, clareza por parte da fação palestiniana. Quer respostas sobre porquê, como e para onde vamos. As pessoas querem ouvir isso!”, disse um palestiniano.
“As pessoas estão a sufocar e não é só por causa da guerra. As pessoas têm estado sob um bloqueio marítimo, terrestre e aéreo totalmente paralisante desde 2007”, quando o Hamas tomou o poder pela força em Gaza. “Nunca estiveram tão zangadas com a fação palestiniana dominante, como hoje”. Por razões de segurança, a identidade e a localização das duas pessoas ouvidas pelo Expresso a partir de Gaza foram apenas identificadas como M (pessoa já citada acima) e S.
As famílias dos reféns não tardaram a manifestar-se contra uma nova fase da guerra movida por Israel, uma vez que ainda há reféns em Gaza. O grupo "Hostages Families Forum" disse, citado pelo "The Guardian", que o Governo de Benjamin Netanyahu está a tratar do regresso de 59 reféns como "uma coisa secundária", "empurrada para o fim da lista de prioridades". O mesmo coletivo, que é o principal grupo de pressão sobre o Governo israelita para a continuidade de um cessar-fogo, disse esta quarta-feira que os seus membros ficaram “horrorizados” ao acordar com a notícia da expansão da operação militar.
“Em vez de garantir a libertação dos reféns através de um acordo e acabar com a guerra, o governo israelita está a enviar mais soldados para Gaza para lutar nos mesmos locais onde já lutaram tantas outras vezes”, afirmaram as famílias.