O treinador português do Fenerbahçe, José Mourinho, recebeu esta quinta-feira uma suspensão de quatro jogos na sequência das acusações de racismo feitas pelo rival Galatasaray.

Segundo a Sky Sports, Mourinho foi castigado por insultos e conduta antidesportiva.

Galatasaray acusa Mourinho de “retórica desumana”

O líder do campeonato turco anunciou, na segunda-feira, que ia avançar com uma queixa judicial contra Mourinho por considerar que o português cometeu ofensas racistas após o encontro entre as duas equipas no campeonato turco, que terminou empatado sem golos.

Após o apito final, José Mourinho comparou o banco do Galatasaray a “macacos” devido à forma como reclamaram um penálti logo nos primeiros minutos do encontro e agradeceu ao árbitro esloveno Slavko Vincic pela exibição, considerando que se tivesse sido um turco a dirigir o jogo "teria sido um desastre".

"Desde o início da sua carreira na Turquia, o treinador do Fenerbahçe, José Mourinho, tem persistentemente feito comentários depreciativos em relação ao povo turco. O seu discurso escalou para além de comentários meramente imorais para retórica desumana", lê-se no comunicado do Galatasaray.

O líder da Liga turca declarou formalmente a "intenção de iniciar um processo judicial sobre os comentários racistas de José Mourinho", adiantando que vai ainda submeter queixas formais junto da UEFA e da FIFA.

"Além disso, vamos observar com atenção a postura adotada pelo Fenerbahçe, uma instituição que professa defender 'valores morais exemplares', em resposta à conduta repreensível mostrada pelo seu treinador", refere a nota.

Yves Herman

Fenerbahçe defende Mourinho: "Declaração deliberadamente distorcida"

Horas depois, o segundo classificado do campeonato turco saiu em defesa de José Mourinho. Em comunicado, o clube de Istambul tentou ‘esvaziar’ a polémica, ao referir que as declarações do treinador português foram retiradas de contexto.

“Uma declaração feita pelo nosso treinador José Mourinho, após a partida, foi retirada completamente do contexto e deliberadamente distorcida. Como qualquer pessoa de bom senso pode ver e compreender, as expressões utilizadas por José Mourinho para descrever a reação extrema da equipa técnica adversária às decisões do árbitro durante a partida, não podem, de forma alguma, ser associadas ao racismo”, escreveu o Fenerbahçe, em comunicado.

Francisco Seco

Drogba e Essien saem em defesa de Mourinho

Duas antigas estrelas do Chelsea e do futebol africano reagiram entretanto à polémica e saíram em defesa de Mourinho, que os treinou nos “blues” entre 2004 e 2008.

Didier Drogba, antigo internacional da Costa do Marfim, dirigiu-se ao Galatasaray, clube que representou em duas temporadas, na rede social X, onde apelou ao “foco” nos próximos jogos e deixou uma garantia sobre Mourinho.

“Confiem em mim, conheço o José há 25 anos e ele não é racista e a história (passada e recente) comprova-o. (…) Como pode o meu ”Pai" ser racista", escreveu o antigo avançado.

O antigo internacional ganês Michael Essien recorreu ao Instagram para, de forma simbólica, partilhar uma fotografia onde surge a conversar com o treinador português.