Uma das barragens de contenção instaladas no norte do Equador para conter um derrame de petróleo que afetou a província de Esmeraldas cedeu devido às fortes chuvas na região, anunciou a petrolífera estatal.

Numa nota divulgada na terça-feira, a Petroecuador disse que a barragem que se rompeu estava localizada no rio Caple e obrigou a uma nova suspensão da captação de água para a estação de tratamento de San Mateo.

O rio Caple poluído pelo derrame de petróleo
O rio Caple poluído pelo derrame de petróleo Cesar Munoz

Para evitar a escassez de água, um total de 50 camiões-cisterna viajarão para as cidades afetadas, enquanto o navio Tanata da Marinha equatoriana está a caminho com 1,1 milhões de litros de água, disse a petrolífera estatal.

Como medidas de emergência para conter o crude, foram instaladas sete barreiras no rio Viche e foram posicionados tratores nas praias para remover as paliçadas e os materiais contaminados com petróleo que poderiam ser levados pela maré.

Moradores afetados pelo derrame, contratados pela Petroecuador, tentam extrair petróleo do rio Caple
Moradores afetados pelo derrame, contratados pela Petroecuador, tentam extrair petróleo do rio Caple Cesar Munoz

"A entrega de ajuda humanitária continua ativa, e as entregas de rações alimentares e kits de limpeza vão continuar", declarou a empresa estatal.

Horas antes, a Petroecuador tinha revelado que o volume de crude derramado ultrapassou 25 mil barris, após o rompimento do oleoduto principal do Sistema Transequatoriano de Oleodutos, aparentemente devido a um deslizamento de terras.

A fuga ocorreu a 13 de março, perto do município de Quinindé, e atingiu os principais rios da província, interrompendo temporariamente o fornecimento de água potável a várias cidades, incluindo Esmeraldas, a capital da província.

O rio Viche, poluído pelo derrame de petróleo
O rio Viche, poluído pelo derrame de petróleo Cristina Vega

Na segunda-feira, uma equipa do Gabinete das Nações Unidas para a Avaliação e Coordenação de Desastres chegou a Quito em resposta a um pedido de apoio do Governo equatoriano.

Segundo a ONU, o derrame de petróleo contaminou gravemente importantes fontes de água, deixando meio milhão de pessoas sem acesso a água potável e saneamento.

Moradores afetados pelo derrame, contratados pela Petroecuador, navegam num barco enquanto tentam extrair o petróleo do rio Viche, Esmeraldas, Equador.
Moradores afetados pelo derrame, contratados pela Petroecuador, navegam num barco enquanto tentam extrair o petróleo do rio Viche, Esmeraldas, Equador. Cristina Vega

Houve relatos de um aumento de doenças respiratórias e gastrointestinais na zona, "o que coloca as crianças, os idosos e as pessoas com condições pré-existentes em maior risco", acrescentou a organização.

A equipa da ONU reúne especialistas em coordenação humanitária, avaliação rápida de necessidades e gestão de informação. Será também mobilizada uma equipa de especialistas em resposta a derrames de petróleo, gestão de resíduos perigosos e restauração de ecossistemas.